Realização de sonhos

“Eu tinha dito para ele parar de jogar, achava que já havia passado a hora dele. Ainda bem que ele não me ouviu.” Essa declaração é de Socorro Lira, mãe de José Wagner, ele é um dos atletas da Fundação Otacílo Gama que ganhou uma bolsa para estudar e treinar em Portugal. O outro contemplado foi o atleta Rodrigo Belo.

No próximo domingo, 2 de outubro, eles embarcarão para Portugal. A oportunidade surgiu a partir da parceria entre a Fundação Otacílio Gama, a Associação Humanitária Beneficente do Recife, AHMAR e a Fundação portuguesa Padre Antônio Almeida. “Essa parceria será fundamental para o desenvolvimento do esporte e geração de oportunidades para nossos atletas. A parceria vai proporcionar que eles estudem na Europa e também treinem em times importantes, como o do Porto”, fala o presidente da Fundação Otacílio Gama, Othamar Gama.

Os jovens serão acolhidos pelo Colégio 7 Fontes, localizado em Braga e também pelo time do Porto. “Tenho a responsabilidade de levá-los juntamente com os outros meninos escolhidos na cidade de Belo Jardim, Pernambuco. Pra mim, esses garotos receberam uma oportunidade única, que pode ser comparada a ganhar na Megasena”, explicou o padre Vicente Ferré.

Expectativas

Para os jovens a ansiedade é grande. “É a primeira vez que estou saindo do Brasil, são muitas coisas novas. Muitas experiências. Quero mostrar a todos lá fora o meu futebol e estudar também, quero provar os motivos de eu ter recebido essa oportunidade”, disse José Wagner.

Para Rodrigo Belo esse momento é resultado de muito esforço. “Eu fico muito orgulhoso dessa oportunidade que estamos recebendo, estamos trabalhando por ela há muitos anos, desde muito pequeno eu já treinava para ser um grande jogador”.

Início da história

“Na minha casa ninguém gostava de jogar bola, mas o Rodrigo desde que era bebê ficava pulando no meu colo quando via um jogo ou uma bola de futebol. Quando ele foi crescendo sempre ia jogar bola em um campinho que existia perto de casa”, nos conta Fátima Silva, mãe de Rodrigo Belo.

José Wagner desde pequeno gosta de futebol também. Começou a treinar na Fundação Gama aos 8 anos de idade. “Mesmo com a mãe morando mais longe daqui, ele vinha para a minha casa três vezes na semana e todos os fins de semana, sempre motivado para jogar. Desde pequeno era assim, até hoje”, nos fala dona Lúcia Lira, avó do jovem.

Saudades da família

“O sentimento que eu estou sentindo agora é de muita felicidade, mas o meu coração de mãe está apertado, já estou com saudades dele. E nós não estávamos esperando por essa chance, não imaginávamos que iria ser tão rápido, mas ainda bem que aconteceu. Pegou todo mundo de surpresa, ainda estamos em adaptação”, nos a mãe de José Wagner.

“Vamos sentir muita falta dele. Nós temos outra filha, mas ela já casou e saiu de casa, Rodrigo era nossa companhia, minha e do meu marido. Mas sabemos que essa é uma ótima chance para ele, para estudar e treinar. Uma oportunidade de ouro, uma em um milhão. Estaremos esperando quando ele voltar,” fala Fátima Silva.

“Meus outros netos até sentem ciúmes porque eu e o Wagner somos muito próximos. Ele sempre está aqui em casa e me faz companhia. Ele já está quase um adulto, mas não tem vergonha nem de sair comigo, nem com a mãe dele. Vou sentir muita falta dele, mas estou muito feliz, muito feliz mesmo. Eu quero que ele saiba que a família dele vai estar sempre esperando por ele”, nos conta Lúcia Lira, avó de José Wagner.